‘Urubus e sabiás’ de Rubem Alves

Li este texto hoje, dia 11 de outubro de 2013 na timeline de Elisa Freire Moreau no Facebook.
Não consegui não reproduzi-lo aqui, afinal, ilustra com maestria as ditas “hierarquias” e para que elas servem.
E este é o ponto: elas servem para que, mesmo? “… ordem, hierarquia, comando, controle, disciplina, obediência, honra, dever, bravura, heroísmo…” ? [1]

“Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam… Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás… Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa , e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.

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Sobre comunidades e ‘comunidades’

[em construção]

O nome do grupo ‘comunidade’ foi mudado para ‘convivências glocais’ por termos pensado em conjunto [1] sobre a inadequação do termo ‘comunidades’ para abranger, e mesmo definir, o que estamos fazendo em nossos ‘grupamentos de interação’.

Mas depois de conversas com Rafael Pires na última segunda feira [2], fiquei com a insistente sensação que seria cedo para desistirmos da palavra ‘comunidade’, mesmo que tenhamos que achar nossa conceitução e definição para os ‘grupamentos de interação’ que acontecem em convivências glocais.

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VARRENDO PARA DENTRO? – Augusto de Franco

Augusto de  Franco

Sobre as circularidades da corrente interativa que não queremos deixar escapar

Há três anos alguns amigos estamos repetindo uma frase que à primeira vista pode parecer surpreendente: nós já descobrimos a “fórmula” e a “fórmula” é a rede. Esta frase quer dizer que não há caminho para a rede, pois a rede é o caminho; ou seja: que para chegar a novas formas de convivência e de organização mais distribuídas do que centralizadas, não há alternativa senão começar a praticar – hoje, não amanhã – formas de convivência e de organização mais distribuídas do que centralizadas.

Isto é a transição para a rede. Não há como adotar formas de convivência e de organização mais centralizadas do que distribuídas como estratégia para se chegar a formas de convivência e de organização mais distribuídas do que centralizadas. Não há como usar uma organização fechada como meio para se chegar a uma organização aberta.

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